Thursday, 2 August 2007

The Wardrobe Collection - If

Graffiti encontrado numa rua de Dallas
(Fotografia da Dallas Arts Revue)


If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream – and not make dreams your master,
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And – which is more – you'll be a Man, my son!

Rudyard Kipling (1910)

The Wardrobe Collection

Depois do sucesso da "Série Pessoa" (ver posts do mês de Julho), eis que outra nova série começa neste blog. Desta feita, trata-se de uma colectânea à qual decidi chamar "The Wardrobe Collection", e que não é mais do que isso: uma colecção de poemas que tenho carinhosamente "arquivados" na parte de dentro das portas do meu roupeiro e que, a partir de agora, vou partilhar convosco.
Espero que gostem destes poemas tanto como eu!
Think about it...

Wednesday, 25 July 2007

Europe Vs. Italy

E nós? Seremos mais Europeus ou mais Italianos?


Think about it...

Tuesday, 24 July 2007

Hey, you!

Think about it...

Saturday, 21 July 2007

As fontes

"Nympheas", Claude Monet


Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser vivo e total,
À agitação do mundo irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.

Irei beber a luz e o amanhecer
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.


Sophia de Mello Breyner Andresen








Think about it...

Friday, 20 July 2007

Série Pessoa - Fernando Pessoa (ortónimo)

"La Méridienne", Vincent Van Gogh
(óleo sobre tela, 1889)


Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão !
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando !

Ah, poder ser tu, sendo eu !
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso !
Ó céu ! Ó campo ! Ó canção ! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve !
Entrai por mim dentro ! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve !
Depois, levando-me, passai !

Fernando Pessoa (1914)

Think about it...

"Sexa", ou os perigos da Linguística!

-Pai...
-Hmmm?
-Como é o feminino de sexo?
-O quê?
-O feminino de sexo.
-Não tem.
-Sexo não tem feminino?
-Não.
-Só tem sexo masculino?
-É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
-E como é o feminino de sexo?
-Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
-Mas você mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
-O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
-Não devia ser "a sexa"?
-Não.
-Porque não?
-Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
-O sexo da mulher é masculino?
-É. Não! O sexo da mulher é feminino.
-E como é o feminino?
-Sexo mesmo. Igual ao do homem.
-O sexo da mulher é igual ao do homem?
-É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
-Certo.
-São duas coisas diferentes.
-Então como é o feminino de sexo?
-É igual ao masculino.
-Mas não são diferentes?
-Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, não muda a palavra.
-Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
-A palavra é masculina.
-Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o pal..."
-Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
-Temos que ficar de olho nesse guri...
-Por quê?
-Ele só pensa em gramática.

Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola.
Think about it... :)

Thursday, 19 July 2007

Mudar, é preciso!

Think about it...

Série Pessoa - Alberto Caeiro


"A shepherdess and her flock", Charles Jacque
(óleo sobre tela)

X

«OLÁ, GUARDADOR de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?»

«Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?»

«Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memória e de saudades
E de cousas que nunca foram.»

«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.»

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos (1911-12)


Think about it...

Série Pessoa - Álvaro de Campos

"O Grito" (1893), Edvard Munch
(óleo, têmpera e pastel em cartão)



Lisbon Revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!


Álvaro de Campos (1923)







Think about it...